Pedra de Metal

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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

PEDRAGULHO - OMITIR "Cotard"


OMITIR é um projecto a solo de Joel Fausto, surgido nos inícios do segundo milénio. Uma “arquitectura” sonora composta por black-metal, jazz e ambiental. Joel Fausto, primordialmente instruído no jazz e na música ambiental, decide embarcar para uma aventura desconhecida e diferente. Pegou nestes dois estilos e mergulho-os no lado mais obscuro do metal, criando assim um registo bastante próprio, ou seja, o seu black metal, fora as ambiências e as passagens de saxofone e piano, acaba por ter ritmos, quer seja de guitarra ou de bateria, fora dos canones habituais deste estilo. O seu último trabalho, assinado por duas editoras (a norte americana The Pathless Traveled Records e a germânica Amor Fati Productions)é um completo livro sobre os limites da mente humana, do seu isolamento.

“Cotard” é um álbum totalmente cantado em português, um protozoário psíquico que invade o cérebro humano subtilmente e se propaga por todo ele. Muito “apropriado” não só para os apreciadores de black metal experimental, mas em simultâneo para quem já viu o filme “Eraserhead”, realizado por David Lynch. A simbiose entre as duas obras é perfeita e não é por acaso que existem excertos do próprio filme no álbum. Em especial no tema “Poço” e um pouco por todo o álbum, a parte ambiental muito ao estilo de Angelo Badalamentti, compositor e responsável por criar músicas e ambiências quase todos os filmes do David Lynch, como “Estrada Perdida”, “Veludo Azul” e também para a série “Twin Peaks” entre outras. Apesar de ser maioritariamente suja e distorcida, em “Belle Diference” a voz de Joel Fausto metamorfoseia-se e toma uma tonalidade muito similar à de Chris Isaac, mas quase em ritmos de fado. Momentos de jazz belos e “decadentes”, piano (em “Perda”); saxofone (em “Foco Abrupto”) são uma peça chave para que “Cotard” seja um trabalho autêntico e distinto.

Joel Fausto revela-se um verdadeiro discípulo de David Lynch e um disciplinado seguidor da escola de Angelo Badalamentti, os ambientes profundos para onde nos transporta são fruto disso e do talento majestoso deste excelente músico. E tal como na obra de David Lynch, a complexidade de OMITIR, obriga a sermos nós próprios a tomar como desafio de descobrir a sua essência e tentar compreende-la.


Partes do filme "Eraserhead" onde foram retirados alguns samples para o álbum:

domingo, 12 de agosto de 2012

PEDRAGULHO - PhaZer "Kismet"


Os PhaZer, banda de rock lisboeta, lançaram o álbum “Kismet” em 2010. Confesso que não sou especialista na área musical em que os PhaZer se expressam artisticamente o que implicará que esta análise terá um pendor bem mais subjectivo do que é costume nas minhas análises a discos.

Na generalidade, o disco está bem produzido e vive muito do trabalho de voz e de guitarra de Paulo Miranda e Gil Neto, respectivamente.

O disco abre com “Wake me”, uma canção de rock melódica e alegre que impõe o ritmo para o restante álbum. Destaca-se o trabalho intrincado na guitarra de Gil Neto bem como os seus solos que dão à música um carácter dinâmico. Curiosamente, em certas partes da música, os riffs de Gil Neto fazem-me lembrar o que Daisy Berkowitz fez na música “Cake and Sodomy” dos Marilyn Manson.

Segue-se “War of shouts” iniciando-se com um grande riff, um refrão melódico protagonizado por Paulo Miranda e um grande solo de Gil Neto, adornando a música.

Em “Serious killer” somos surpreendidos pelo discurso de Charles Manson (sim, ele próprio!) e de todos os fantasmas que levanta ilustrados pela letra da música. Mais um impecável trabalho de guitarra começando com um riff calmo que acaba por desembocar num riff melódico e mais agressivo na altura do refrão com mais um grande solo.

A prestação vocal de Paulo Miranda em “#” é assinalável variando entre a agressividade e a insanidade fazendo lembrar Mike Patton. Acaba por ser uma das canções mais compassadas e com mais groove do álbum além de ter um excelente e orelhudo refrão.

“Kismet” acaba por ser uma das músicas mais pesadas do álbum abordando por si só uma temática “pesada” há séculos, o dualismo Cristianismo-Islamismo. A música é introduzida com um cântico e um riff de tons arábicos e começa de forma bastante calma até que acaba por desembocar num riff carregado de peso atingindo a sua plenitude no refrão, peso esse que se sente também na prestação do vocalista. Destaque também para a prestação de Henrique Martins no baixo e no seu duelo amigável com Gil Neto.

Um riff hipnotizante conduz a música “The unknown” no que parece ser uma profunda reflexão da personagem que é retratada na música atingindo o seu apogeu no verso do refrão cantado agressivamente: “(…)I try to fit in the world but the world doesn`t fit in me (…)”.

“Rebel” tem um toque acentuadamente country fazendo lembrar, por vezes, o que os Metallica fizeram em “Mama said”. A banda fez esta música em homenagem a Charlie Chaplin constando nesta um excerto de um discurso que ele faz no filme “O grande ditador” de 1940.

“Black suite zombie” segue forte e pesada à semelhança de “Kismet”. Começa com um riff extremamente distorcido. Insanidade e agressividade são dois pontos comuns na prestação de Paulo Miranda à semelhança do que acontece em “#”.

“Stay for them” e “Fear itself” encerram o quarteto de músicas mais pesadas do álbum (em conjunto com “Black suite zombie” e “Kismet”) começando (a “Stay for them”) com um riff demolidador até à medula acompanhado pelo bombo do baterista Nelsun Caetano reforçando o peso. Agressividade e intensidade em elevadas doses. O mesmo se poderá dizer de “Fear itself” no entanto o início desta é mais calmo com a introdução de uma harmónica na composição tendo um refrão mais melodioso embora o baterista faça uso do seu duplo bombo nas partes mais agressivas.

A última composição dá pelo nome de “And then it all began” e é um instrumental a solo de guitarra acústica característico dos trabalhos que se fazem ao nível de guitarra clássica.

“Kismet” é um bom álbum, bem estruturado e musicalmente interessante apesar de às vezes se poder tornar demasiado heterogéneo para o seu próprio bem. A nível de guitarra, por vezes, sinto que lhe falta distorção e peso porém isso pode dever-se à influência do “metal pesado” que me corre nas veias…




Entrevista a PhaZer

terça-feira, 5 de junho de 2012

PEDRAGULHO - Borknagar "Urd"


"URD" é o novo álbum da banda norueguesa Borknagar gravado na Suécia, nos Fascination Street Studios e lançado em Março deste ano pelas mãos da Century Media Records.

Este disco tem um som massivo e totalmente moderno que combina toda a história musical da banda, sem no entanto se restrigir a ela. "URD"  é a extensão do som de marca dos Borknagar. E todos nós confirmamos que eles são reis dentro do Black Metal Progressivo.

Desde sempre sabemos que esta banda tem um som característico... uma combinação de emoção com vozes limpas e outras bem agressivas. Também as suas letras saem um pouco dos temas predominantes deste estilo musical. Os Borknagar escrevem sobre Paganismo, Filosofia e até mesmo Astrofísica... em vez de se preocuparem com temas do Inferno, preferem a Galáxia.

"URD" é um álbum  muito rico! Ora vejamos:

Começamos com "Epochalypse", um tema de natureza bastante progressiva, não só pelas múltiplas mudanças de tempo, mas também pelos brilhantes arranjos das guitarras.
As linhas de voz em temas como “The Beauty of Dead Cities”, “Frostrite” e “The Winter Eclipse” mostram o vasto território que a banda consegue cobrir através de tão talentosos vocalistas!
Em "Roots" encontramos um solo de guitarra fenomenal; em "The Earthling" os gritos clássicos a que os Borknagar nos habituaram e na música "Mount Regency" uma bateria explosiva!
A meio do álbum está "The Plains Of Memories", um tema instrumental, que é uma verdadeira obra prima. Consegue transportar-nos para outro mundo.
A meu ver, o ponto fraco do disco é o tema "In A Deeper World"... se não existisse, não sentíamos a sua falta!

Destaca-se um dos temas bonus deste disco, o cover de Metallica "My Friend Misery", que foi revestido com um som mais sinfónico e permitam-me dizer que é uma versão que faz frente ao original!!!

"URD" tem uma produção brilhante e uma composição extremamente dinâmica... mas fiquei rendida mesmo às vozes!!!! A forma como as diversas vozes se entrosam dão uma energia estonteante ao disco e faz deste um dos melhores, senão mesmo o melhor álbum de Borknagar, marcado pelo regresso de ICS Vortex ao colectivo norueguês.


TrackList de "URD":

1. Epochalypse
2. Roots
3. The Beauty Of Dead Cities
4. The Earthling
5. The Plains Of Memories
6. Mount Regency
7. Frostrite
8. The Winter Eclipse
9. In A Deeper World


10. Age of Creation (Bonus Track)
11. My Friend Misery (Bonus Track)



Borknagar (membros):

Øystein Garnes Brun – Guitarra & composição
Andreas «Vintersorg» Hedlund – Voz
Lars «Lazare» Nedland – Teclas & Vozes
Jens F. Ryland – Guitarra
ICS Vortex – Baixo & Voz
Baard Kolstad - Bateria

Sites Oficiais:


segunda-feira, 16 de abril de 2012

PEDRAGULHO - Raw Decimating Brutality "Obra Ó Diabo!!!"


Segundo o dicionário da língua portuguesa, a palavra “obra” refere-se, acima de tudo, ao resultado de uma acção ou de um trabalho. Para que uma “obra” atinja uma elevação considerável, é necessário que os alicerces da mesma tenham uma base tão funda e resistente como as raízes de um embondeiro. É ajudado estas raízes a perfurarem mais o solo que a editora nacional, vocacionada para o brutal/death e grind, Vomit Your Shirt destaca-se com mais um grande lançamento, o álbum “Obra Ó Diabo!!!” dos Raw Decimating Brutality.

“Obra Ó Diabo!!!” é, na gíria de trolha, o chamado “tijolo de primeira”, aquele que puxará por mais tijolos de igual qualidade, para que a obra geral dos Raw Decimating Brutality se transforme numa poderosa construção idêntica a de uma cidade. E para uma primeira “obra” de longa duração, mais parece um terceiro ou quarto álbum tendo em conta a experiente elaboração do mesmo. O álbum apresenta-se com riffs tão bem dispostos como os humorados títulos dos temas, obviamente relacionados com o maravilhoso mundo da construção civil, “Limpei O Cu A Um Saco de Cimento”, “Chapar Massa À Talocha”, “Andaime Infernal” e “A Massa Gretou-me A Mão” são alguns bons exemplos. Em cada pequeno tema, que variam entre 1:22 e 2:00 minutos, podemos observar a incrível como introduzem diferentes ritmos de uma forma tão veloz e em circundante devastação, uma perfeita “obra de empreitada” tal é a rapidez como os temas são tocados.

Que muitas “obras” como esta, “urbanizem” a carreira dos Raw Decimating Brutality durante muitos anos. E se assim continuarem, o “aldeamento”, que está ainda no seu início, ganha asas e chegará a “cidade”.

MYSPACE:
http://www.myspace.com/rawdecimatingbrutality
FACEBOOK:
http://www.facebook.com/RDBgrind

EDITORA
http://www.vomityourshirt.com/store/en/

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Pedragulho - Gallows’ End "Nemesis Divine "


Ainda tendo fresco o disco dos Methusalem na memória, é impossível não comparar esse com este dos Gallows End. Precisamente o mesmo estilo, mas com uma produção cheia, límpida e bem sonora, que faz sobressair o que de melhor a banda tem, com este estilo mais NWOBHM. Com temas potentes como a inicial “Kingdom Of The Damned“ ou “Different Eyes”, que mostram bem o potencial da banda, com solos de guitarras gémeas, um baixo discreto mas potente e eficaz, voz potente e bem colocada, mostram que o Heavy Metal mais tradicional não é uma brincadeira para estes suecos, mas sim um estilo de vida.

Se, além de tudo isto, tivermos em conta que este é o álbum de estreia dos Gallows’ End, podemos vaticinar um futuro muito interessante para esta banda, dada a apetência que têm para criar este metal que tanto vai beber ao speed metal, como à NWOBHM, como a algum rock mais pesado de décadas passadas, criando um híbrido já muitas vezes ouvido mas raras vezes com tanta classe. Thumbs up, sem duvida alguma.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Pedragulho - Methusalem "Unite And Conquer"


Heavy metal do mais clássico (leia-se antigo) com hard rock dos anos ’80 é a maneira mais directa e simples de se definir o som desta banda holandesa de seu nome Methusalem. Apesar dos grandes Maiden serem uma referência deste vosso escriba, poucas outras bandas desta onda específica conseguem mexer realmente com o corpo como os reis absolutos da NWOBHM e não vão ser este holandeses, por muito competentes que sejam (e são).

Apesar disso, e para quem estiver dentro da onda, são agradáveis e não muito pesados, sendo que a atenção é mais focada nos jogos de vozes e na aproximação a um estilo vocal mais rockeiro da velha escola, o que só ajuda ao carácter genuíno da banda, que apostou numa produção com as guitarras sem o som mais americano e cheio, para que sejam perceptíveis todas as melodias tocadas (que são bastantas) e num som de bateria que, sendo um pouco plástico, destoa do ambiente do disco.

Ainda assim, o som cheio do baixo à la Maiden ajuda a encher um disco saudosista feito de metaleiros cheios de estaleca da velha guarda, para metaleiros da velha guarda que se deliciam com disco de Judas Priest, Iron Maiden, Saxon e outros que tais. Up The IRONS!

PEDRAGULHO - Hang The Traitor "Hunt For Blood EP"


Já está disponível para venda direta o EP “Hunt For Blood”, o primeiro trabalho de estúdio da banda Hang The Traitor, que o Pedra de Metal teve recentemente o prazer de entrevistar.

O coletivo da Margem Sul já conta com uma rede de fãs invejável para uma banda não assinada, e isto é especialmente claro na Internet, em particular nas redes sociais onde desde sempre os Hang The Traitor estiveram bem representados.

Tratam-se de quatro seminais faixas de um Metal carregado de peso, velocidade mas também ambiente. De facto, no som dos Hang The Traitor cabem (literalmente) influências de Nile a Slipknot, se bem que a principal tendência da banda é claramente o Thrash Metal.

O álbum abre com Massacre, uma faixa que a que a audiência da banda já está habituada, pois é daquelas que está quase sempre incluída no set. Uma faixa que serve como microcosmos do som dos Hang The Traitor, começando com melodias ambientais que criam caminho para a violência que se segue.

“Destrói” é o primeiro single da banda, que já tem videoclip oficial disponível desde 2010. É o único original dos Hang The Traitor com letra em português e certamente uma das suas faixas mais avassaladoras, ideal para animar o pit.

Segue-se Rotten, uma faixa rápida e cheia de Groove que também costuma constar regularmente das atuações ao vivo, e que mais uma vez torna óbvias as influências de Thrash dos Hang The Traitor.

A faixa Hallucinate foi a escolhida para fechar este primeiro trabalho. Trata-se de um tema diverso que tal como Massacre começa com um ambiente melódico que esconde por trás um peso deveras contagiante.

Nos próximos tempos vamos voltar a estrada onde certamente re-encontraremos os Hang The Traitor, para vos trazer novos vídeos, reportagens e notícias deste genial coletivo.

Até lá visitem uma das várias páginas das bandas nas redes sociais onde podem adquirir o EP “Hunt For Blood” ou a primeira T-shirt oficial da banda.

domingo, 20 de novembro de 2011

Pedragulho - Welicoruss "Apeiron"



“Apeiron” é o nome do EP mais recente da banda russa de black metal mais sinfónico e progressivo e como EP que é, temos direito a um tipo de alinhamento que não seria tão normal num álbum, com versões alternativas e até uma remix.
Uma escuta rápida a este disco pode bem dizer-nos que o vocalista nos lembra, e muito, o nosso Fernando Ribeiro, que o guitarrista gosta muito de nos mostrar o muito que toca num estilo neo-clássico e que eles querem á viva força mostrar que não escutam apenas musica mais extrema. Portanto, e do black metal sinfónico com influências de pagan metal de “Apeiron” ou “”Slava Rusi”, ao estilo mais sinfónico de “To Far Worlds” e “Blud Flower”, temos, uma banda a tentar inovar dentro do seu estilo mais normal, usando e abusando de paisagens instrumentais plenas de virtuosismo. Já os últimos 3 temas, que são uma versão mais calma de “Slava Rusi”, a remistura de “Slavianskaia Sila” e a outro “Flower Of Universe”, mostram uma banda que quer mostrar que ouve mais do que apenas metal extremo e que gosta de se sentir viva musicalmente, demonstrando, porventura, a vitalidade nos seus já 10 anos de carreira. É recomendável a pessoas que gostem de musica extrema variada, pese o facto do som final do EP estar um pouco mal masterizado, deixando o som um pouco aquém do que a banda porventura quereria.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

PEDRAGULHO - Tales For The Unspoken "Alchemy"




Alchemy” foi o nome escolhido pelos Tales For The Unspoken para o seu disco de estreia, editado pela Casket Music.

Numa primeira audição do álbum, a influência dos Sepultura é óbvia pelo Groove Metal apimentado pelos elementos tribais que esta banda nos oferece tema após tema. Prova disso são as guitarras com afinações mais graves, um som de baixo vibrante juntamente com um balanço de bateria bem caracterizador e vocalizações meio indígenas.

À mistura, encontramos também riffs de death-metal melódico que tornam o álbum mais agressivo. A voz de Marco Fresco contribui também para essa agressividade com os seus guturais, muito ao género de Lamb Of God.

Temas como “There you Stand”, “Possessed” e “Downfall” são obrigatórios ouvir: encontramos riffs bastante interessantes na primeira faixa do disco; o solo de "Downfall" é excelente e "Possessed" é O tema do álbum!

"Alchemy" tem ainda uma faixa extra, "Say My Name", tema escolhido para primeiro video clip do colectivo de Coimbra, lançado  no início de 2009.

Os Tales For The Unspoken revelam-se um colectivo com muitas ideias e muita técnica… ingredientes importantes para a sua evolução e afirmação no mercado musical!

Fica a nota negativa para a produção, que sugou toda a potencial energia da voz e dos solos… tirou-lhes brilho e impediu que o som fosse algo mais grandioso (ficou limpo demais!). O álbum ressente-se disso!

Além disso, a banda, no seu press kit, sugere fazer uma nova abordagem ao metal com este álbum… o que, a meu ver, ficou só pela vontade. A revolução do metal não aconteceu e as expectativas criadas saem frustradas… mas claro está, esta ainda é uma banda muito verde... mas, sem dúvida, com bastante potencial!

TrackList:

1.        There You Stand
2.        Possessed
3.        Take Over
4.        N’Takubawena
5.        Ritual
6.        Makumba
7.        Just Another War
8.        Downfall
9.        Unto The Breach
10.     Crown Of The Crow
11.     One Day
12.     Say My Name (Bonus Track)



Site Oficial: http://www.talesfortheunspoken.com/
Myspace: http://www.myspace.com/talesfortheunspoken
Facebook: https://www.facebook.com/talesfortheunspoken

domingo, 6 de novembro de 2011

PEDRAGULHO - Alastor "Demon Attack"


O guitarrista J.A., conhecido fundador dos Decayed e do black metal em Portugal, há muito que matem, em paralelo, um projecto, iniciado em finais da década de oitenta, chamado Alastor que deambula pelo thrash e o black metal. No decorrer deste ano, sai o album “Demon Attack” numa edição especial, sete anos após o lançamento de “Infernal Lord”, pela editora portuguesa War Productions, com um som mais limpo e mais bem produzido.

Desde “Hellward” de 2001, que os Alastor conservam o conceito de álbum com titulo em inglês e o conteúdo totalmente em português. Covers a bandas conhecidas, é outra coisa que tem mantido mas desde o primeiro lançamento da banda, no caso de “Demon Attack” o tema “Red Hot” dos Mötley Crüe. Também um pormenor interessante, neste “Demon Attack”, os riffs de guitarra resultam de um grupo de notas e alguns power chords um tanto ao quanto restrito e mantidos em sequencias diferentes, como é obvio, mas o mais curioso é que os temas não estão com um aspecto repetitivo e aborrecido, muito antes pelo contrário, “Demon Attack” é um álbum em que os temas, em geral, entram bem no ouvido e com grande pujança, o espírito de velha guarda está sempre presente em todos temas deste quarteto, só que o exagerado uso do efeito “delay” na voz, perturba e impede o ouvinte de perceber grande parte das interessantes palavras. Tal como já foi aqui referido, o álbum “Demon Attack” é uma edição especial, porque também traz consigo o primeiro álbum “Gates Of Darkness” lançado em 1996 de bónus, onde também se encontra inserido num split, em conjunto com os Decayed em 1998, intitulado de “A Sacrifice To Darkness”, uma forma verdadeiramente simbólica de representar o passado e o presente da banda. “Demon Attack” é uma peça de colecção muito interessante e importante para qualquer apreciador desta sonoridade.

MYSPACE: http://www.myspace.com/alastorportugal
FACEBOOK: http://www.facebook.com/ALASTOR.PT
SITE DA EDITORA: http://www.war-productions.org/

terça-feira, 1 de novembro de 2011

PEDRAGULHO - BlackSunrise "Oceanic"


Os BlackSunrise regressam em força com “Oceanic”, o 3º álbum longa duração do colectivo e com edição novamente a cargo da Raging Planet.
Tendo a Água como principal elemento, digamos que a banda oferece-nos uma Intro e 10 temas capazes de causar maremotos!!!! 
Oceanic” deixa um pouco de lado o Hard-Core e traz-nos um Death-Metal mais melódico, mas não menos agressivo e poderoso, aliado a uma técnica bastante competente: voz multifacetada com recurso a guturais brilhantes, bateria potente com um grande uso de blasbeats, um baixo bastante encorpado e denso, e especial destaque para as guitarras com riffs intensos e solos bem incisivos.
A produção, mistura e masterização ficou a cargo de David Jerónimo, nos Malware Studios e mostra-nos um som mais coeso, denunciando a grande maturidade alcançada pela banda.
O disco conta também com uma lista de convidados especiais entre eles: Pedro Pedra (Grog), Jó (Theriomorphic), Filipe Correia, David Jerónimo (Concealment), Rizzo (Utopium) e Sofia Silva (ex-Neoplasmah) que participa no renovado “I Am The Sea”. 

Estamos sem dúvida perante o mais equilibrado trabalho dos BlackSunrise, que destacam o tema “Physalia Physalis” com um vídeo-clip, embora, se me permitissem… eu nomearia o “Adamastor” como a melhor do álbum!

TrackList:

1 - Inhale\Exhale (Intro)
2 - Physalia Physalis
3 - Atlantida
4 - Crowning Neptune´s Wrath
5 - Asgard Dies
6 - I am the Sea
7 - Must be Purged
8 - Flesh
9 - Deep Without Mercy
10 - Adamastor
11 - Metamorphosis



sábado, 1 de outubro de 2011

PEDRAGULHO - Darkside of Innocence "Lux Omega"


Pouco se sabe sobre a situação dos Darkside of Innocence, apenas que estão reduzidos a um elemento. Iniciaram a sua carreira com um black metal puramente sinfónico e a um nível bem escandinavo até 2009 em que, após o EP de estreia, sai o álbum “Infernum Liberus EST” com excelentes alicerces não só musicais como garantia um line-up com continuidade. Estando reduzidos a um só elemento (voltando a mencionar), ocorre uma mudança brusca que se resume a ambiental/experimental/post.

O alinhamento do novo EP “Lux Omega”, é iniciado pela escura intro “Omega” demarcada em compassos de relógio, “Luna” é optada pelo clássico com o piano e as entradas a algo semelhante ao som do oboé são preenchem intensamente o tema, seguido pela melancolia de “Fantasy” que me faz lembrar um pouco a animação japonesa, encerra com o outro “Lux” em movimento de ascensão de uma forma sonoramente industrial.

Relativamente a este EP há pouco mais para dizer e muito por esperar, “Lux Omega” é um trabalho onde encontramos a banda numa fase de futuro incerto, isto é, se por um lado passaremos a ter, definitivamente, uns Darkside Of Innocence puramente ambientais, ou se tudo isto não passa de um período temporário. Será que voltarão às suas raízes?

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

PEDRAGULHO - Noidz "Trancemetal Age"

Quando o envelope chegou a minha mão eu fiquei admirado com o tamanho do mesmo. Eu sabia que iria receber o single dos NOIDZ não estava a espera que este viesse acompanhado por uma banda desenhada.

Para começar o single, 3 musicas apenas onde se destaca a "cover" da musica "O Pastor", versão que teve elogios de vários elementos, entre eles o compositor do tema Pedro Ayres Magalhães. melhor do que palavras para descrever, mais vale ver o video oficial, uma vez que esta cover, sendo tão diferente consegue criar o mesmo ambiente que a  versão original.



Segue-se o tema "Root Sounds From Earth" com algum conteúdo electrónico e uma espécie de gaita de foles que de destaca, é um tema mais rápido e pesado que "O Pastor", sem nenhuma espécie de vocalização. É estranho porque consigo associar dois tipos de pessoas a ouvir esta musica, (talvez por influência do que se passou em minha casa) aquelas que se põem a dançar ao som da mesma e outras simplesmente a fazer "headbanging".

O terceiro e ultimo tema "Blaste Waves" é o temas menos conseguido, talvez por ser o mais comercial, as guitarras estão lá, mas não existe o peso das musicas anteriores, no entanto não deixa de se notar que é uma musica dos NOIDZ, e é isso que agora é raro existir uma banda conseguir criar a sua própria identidade e quer se goste ou não, os NOIDZ conseguiram isso.

Para terminar uma palavra final sobre a banda desenhada que acompanha o single. Com desenho e cor de José Baetas e argumento da Macthbox Produções, a bd tornasse um elemento fundamental para criar o ambiente aliegena que os NOIDZ fazem parte. Porquê? Porque na bd existe a historia de como a banda apareceu por este planeta chamado Terra vinda da do planeta NOIDZ. O argumento é bom e segundo um amigo meu que é um amante de bd's da Marvel não fica atrás em termos de desenho e qualidade do papel que as bandas desenhadas mais populares.

Os NOIDZ são a prova que em Portugal e não só, ainda se consegue ser original e com muita qualidade, quer se goste ou não, do som que a banda produz.

Site Oficial: http://www.noidz.net/
Myspace: http://www.myspace.com/noidzspaceworld
Facebook: http://pt-br.facebook.com/NoidzSounds?sk=info

terça-feira, 20 de setembro de 2011

PEDRAGULHO - As Hell Retreats "Volition"


Mais uma banda americana com peso suficiente para nos fazer algum "headbanging". Comparações poderiam haver muitas, mas a banda que nos vem a cabeça são os nórdicos In Flames e porque não os nacionais Before The Torn. Mas atenção, há diferenças.

Principalmente a utilização de melodias por parte quarteto norte-americano. A musica "Creator's" e "Young Erotic" são um bom exemplo disso, sendo que a segunda nos transmite uma mistura de emoções enorme.

A produção é excelente, e não admira que a banda faça parte do catalogo da Ain't No Grave Records. Outra caracteristica que achei interessante é que quase não nos apercebemos da mudança de musica, o que pode significar uma de duas coisas: que o álbum é bom e bastante coeso apesar das transições entre melodia e peso, e fica fácil de ouvir, ou então temos a versão que soa sempre a mesma coisa, logo é por isso que não nos apercebemos da passagem de uma musica para outra. Na verdade é um pouco dos dois, e por incrível que possa parecer, as melhores musica são as que tem alguma melodia pelo meio, sendo as restante repetitivas, excepto a musica final "...As His Faith" com um introdução de Trash Metal.

A verdade é que a banda não trás nada de novo, mas já vi bandas a começarem com coisas bem piores e são os As Hell Retreats que tem que decidir o caminho a tomar. Uma banda promissora de um grupo de jovem que quer apenas fazer uma coisa. Mostrar a sua musica.

Facebook: http://www.facebook.com/ashellretreats
Myspace: http://www.myspace.com/ashellretreats

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

PEDRAGULHO - MEDO "Matéria Negra"


O falecido maestro e compositor contemporâneo português Jorge Peixinho (1940-1995), é uma figura emblemática da música ambiental e experimental que gira em torno de um culminar de vanguarda. Na sua música, existem cordas que entrelaçam um circuito que se define paralelo ao fantástico e ao abstracto, onde se rompem barreiras que restringem a criatividade e em que a força do improviso fala mais alto (temos como exemplo os temas: Sobreposições, Políptico 60, Sucessões Simétricas II).

Os Medo não andam muito longe, embora o seu estilo padrão seja o black metal, debruçam-se sobre outras vertentes nomeadamente a ambiental e a experimental. Um projecto de estúdio que não obedece a padrões extrínsecos, pois são eles que idealizam, realizam e produzem os seus próprios trabalhos. E “Matéria Negra” não é excepção, o segundo longa-duração deste duo, apresenta-se com uma produção ainda mais sofisticada, uma capa apelativa e uma forma original de olhar o black metal. É um trabalho com recheio variado, desde temas mais intensos como “Portador das Tormentas” a temas a meio tempo como “Verdugo”. Intercalados com os títulos de ordem musical e dentro do parâmetro black metal, surgem os temas ambientais que vão desde a desde a declamação de um feitiço “Trabalho de Magia Negra (segundo S. Cipriano), a um exorcismo (vocalmente encenado pela banda) em “Rituale Romanum”. Alguns temas são cantados ou declamados totalmente de improviso, como é o caso do conto “Mistério da Nau da Morte” (voltando ao assunto inicial, aqui está um bom exemplo das semelhanças sonoras da obra de Jorge Peixinho), liricamente criada ao primeiro take e cujo ambiente foi criado com a maior das simplicidades, ao som de um fole acordeão e de uma gravação do som do mar, o resultado é fenomenal. Um dado curioso, para além de recorrerem a instrumentos menos vulgares como o serrote musical, toda parte de sonoplastia é concebida pela própria banda, como sons de portas a ranger, o desembainhar de espada, cães a ladrar, etc. Raramente recorrem aos usuais samplers, salvo em temas como “You Will Never Burn All The Witches” onde foi introduzido um pequeno excerto do filme “O Nome da Rosa”, os restantes são todos cantados em português. Um outro pormenor interessante é o do booklet, cada letra da respectiva música está apresentada em duas línguas, português e inglês. “Matéria Negra” é um trabalho que faz dos Medo uma verdadeira pérola do black metal nacional...

SITE: http://www.medoblackmetal.com/
Myspace: http://www.myspace.com/medofantasmasis


domingo, 24 de julho de 2011

PEDRAGULHO - Corpus Christii "Luciferian Frequencies"


Há, aqui presente neste disco, uma alma em constante apelo, em constante proclamação da Palavra, objectivo em que Nocturnus Horrendus nunca baixou os braços e continuará incansavelmente…

De contracto assinado com a conceituada Candlelight, reforça ainda mais o estatuto que a banda, para muitos, tem alcançado com o passar dos tempos, a de expoente máximo do black-metal português e a que, dentro do mesmo estilo, apresenta maior numero de concertos no estrangeiro. Apesar de estar metido num número considerado de bons projectos, Corpus Christii é que é a sua chancela à qual presta prioritária vassalagem, contando já com oito álbuns gravados.

Até aqui, o interior musical dos álbuns de Corpus Christii, embora sempre com qualidade de composição, eram baços e com disturções de guitarra mais sujas. No caso do oitavo longa-duração da sua discografia, “Luciferian Frequencies”, a coisa tornou-se diferente, é um álbum que se define, por um black-metal praticado de uma forma sonora mais polida e cristalina, as partes lentas e rápidas, minuciosamente, melhor colocadas e nos tempos certos, as partes de guitarra tecnicamente mais variadas e com uma tonalidade mais grave que o habitual, as batidas continuam tempestuosas mas mais melódicas em andamentos calmos, um bombo mais nítido e rápido, a voz também não perdeu a sua pureza “trágico-misantrópica”, sempre em timbre acentuado de desabafo e de revolta, como da única oportunidade de o fazer se tratasse. Sem dúvida que “Luciferian Frequencies” é o álbum que apresenta o melhor trabalho de produção da história dos Corpus Christii, em que permanece, como é obvio, o carácter bélico na cruzada constante contra o cristianismo, na defesa e glorificação da ideologia satânica.

http://www.myspace.com/corpuschristii666

quinta-feira, 14 de julho de 2011

PEDRAGULHO - GROG "Scooping The Cranial Insides"



«Uma pessoa para se considerar equilibrada deve conhecer tanto um extremo como o outro». Este foi o raciocínio que Pedro Pedra (vocalista de Grog) mencionou, nos finais da década de noventa, numa reportagem televisiva chamada “Sons do Extremo”. Pegando nesse mesmo raciocínio, irei aplica-lo sim mas na evolução da banda, entre o conteúdo do álbum de estreia “Massacre Requiems” e “Sooping The Cranial Insides”. Começando por fazer uma breve sinopse ao primeiro trabalho, “Massacre Requiems” foi lançado em 1996 pela e já extinta Skyfall Records de Luís Lamelas, foi das primeiras editoras em Portugal a declarar-se em total dedicação à nova era do underground. Com uma inconfundível estreia no mercado, os Grog contribuíram, até aos dias de hoje, com enorme importância pois deram, em plena década de noventa, o tiro de partida da cena “grindcore” e reforçaram a implementação do novo conceito de brutalidade em Portugal, espalhando a palavra, influenciando e inspirando outras bandas que foram surgindo.

“Scooping The Cranial Insides” é a obra mais recente, pela a marca ensanguentada pelo bisturi da holandesa Murder Records, masterizado e misturado nos MDL estúdios em Paço D’Arcos por André Tavares(guitarrista de Seven Stitches), mostra uns Grog de regresso aos álbuns de originais, dez após “Odes To The Carnivorous” datado de 2001, com um carácter dinâmico e ambicioso tal como se estivessem agora a lançar um álbum pela primeira vez. Na abertura do álbum deparamo-nos com algo original, o “Toia Mai (Haka Pow Hiri)” que é um cântico também interpretado pela selecção de rugby da Nova Zelândia, mas neste caso, acompanhado com precursão e didgeridoo, uma forma muito simbólica de intimidar o ouvinte para a “guerra” sonora que se aproxima. A brutalidade é tão presente no álbum como água a correr de uma cascata, tão pura e tão natural, em que todos os temas são exemplo disso. Com a voz de Pedro Pedra de espírito sempre jovem e irreverente e uma boa secção de tempos e contra-tempos, temos em exemplo um dos muitos temas do álbum, “Sphincterized (Materialized In Shit)”. Bem à maneira de Mozart, também em “Scooping The Cranial Insides” os instrumentos comunicam entre eles com uma sensação de “boa disposição”.

http://www.myspace.com/grogpt



terça-feira, 31 de maio de 2011

PEDRAGULHO - The Spiteful "Persuasion through persistence"



Finalmente apresenta-se a análise ao álbum “Persuasion through persistence”, dos leirienses The Spiteful, lançado em 2009.

Os The Spiteful começam o seu álbum com “Sinner suits sin” que começa de forma devastadora como a explosão de uma bomba de hidrogénio. O som é tão denso que arrasta tudo à sua passagem como uma onda de choque. Desde logo nota-se que estamos perante uma boa produção a nível de som ao que não será alheia a colaboração de Daniel Cardoso na mistura e masterização do álbum tendo a produção, gravação e engenharia de som ter sido assumida pela própria banda. Todo o álbum é marcado por um ritmo muito compassado e preciso cheio de groove e a influência que se nota, instantaneamente, é a de Chimaira, na fase inicial da sua carreira, muito devido à voz de Tarrafa mas não só.

Seguem-se “Black tongue” com um ritmo mais veloz do que a anterior e, posteriormente, “Slow needles and trauma prescritions” que segue o ritmo mais compassado da primeira música com o vocalista a cantar a um tempo ligeiramente inferior ao da música no início do tema o que se revela bem interessante. Esta também é pontuada por certos efeitos sonoros electrónicos que dão uma textura mais enriquecida ao som da banda.

“The bitter in the sweet” tem um dos registos mais compassados de todo o álbum com Granja a fazer um mini-solo no seu baixo, aparecendo do nada e de forma imprevisível, e com os vocais num registo mais próximo aos de um Phil Anselmo dos Pantera. “The heart as a claw” começa com um riff com um feeling thrash e é uma música em que Mota e Sérgio, os dois guitarristas "de serviço", se “duelam” com os seus solos.

“Deviant saints” tem a particularidade de, a certa altura, ter uma secção em que apenas a voz, em modo de sussurro, o baixo e a bateria se ouvem explodindo num refrão a plenos pulmões com um solo que faz lembrar os de Slayer, especialmente na fase mais recente da carreira.

Em “Triggered”, os The Spiteful decidem “brincar” com os tempos da música. Começam rápidos, no refrão e durante o solo abrandam bastante, aceleram de novo, e pouco depois aceleram ainda mais dando um toque de Death Metal técnico ao seu riff. Fazem esta variação de tempos na grande maioria das músicas do álbum no entanto, nesta torna-se mais evidente devido à insistência da sua utilização. Aliás, torna-se evidente que os The Spiteful conseguem construir estruturas rítmicas muito sólidas e com tempos de ritmo diferentes sem a sua música se “desconjuntar” ou o resultado final ser disparatado. Numa palavra: consistência.

“Method of fire” é o hino da banda. Muito devido ao seu refrão “incendiário” de plateias. A música começa com um ritmo forte e veloz que desemboca num refrão portentoso acompanhado por um riff que se torna melódico por essa altura com Tarrafa a gritar a plenos pulmões a palavra “Slavery”. Mas isto não é tudo! Pouco depois, e ainda no refrão, entra o bombo duplo de Sarnadas. Impressionante!

“Iconoplastic”, a última música do álbum, é pontuada por várias mudanças de tempo fechando com o selo de identidade da banda. Ritmos compassados, precisos, imprevisíveis e agressivos.

É notório o cuidado que a banda teve com o detalhe pois, apesar de ser um álbum coeso e homogéneo, há sempre algo de distinto em cada música o que torna o álbum coeso e ao mesmo tempo diversificado e imprevisível surpreendendo o ouvinte. O ouvinte “tira” a identidade da música ao início, no entanto, poucos segundos depois é surpreendido com uma mudança de tempo, uma explosão de um solo ou uma vocalização surpreendente o que torna a “viagem” bem mais divertida e aumenta de forma significativa o tempo de “vida” do álbum no leitor de cd`s.

The Job”, uma música mais recente que fizeram para a compilação “Por um punhado de bandas”, onde bandas criam uma música para um dos seus filmes preferidos, e em que a banda presta homenagem ao filme "Cães danados" ("Reservoir dogs") de Quentin Tarantino mostra-nos uns The Spiteful mais melódicos embora tão agressivos como nos mostraram no primeiro álbum (particularmente na versão tocada ao vivo) mostrando outra faceta da banda sem pôr em causa a identidade que imprimiram neste primeiro álbum.

Os The Spiteful estreiam-se no registo longa duração com um álbum muito bom restando cimentar e desenvolver a sua identidade pois está provado que têm competência para crescer e tornarem-se num nome ainda mais forte no panorama nacional do Metal português.




Entrevista a The Spiteful

PEDRAGULHO - Hate Eternal "Phoenix Amongst the Ashes"

Não é apenas mais um álbum dos Hate eternal, é provavelmente o seu melhor desde o seminal "King of Kings", que os afirmou como líderes no segmento do Death Metal Brutal e Técnico.



Após terem estado brevemente sobre o formato de quarteto, Erik Rutan e companhia voltam a ser um trio. Na bateria mantem-se Jade Simonneto, cujo estilo começa a ganhar contornos muito próprios, e para o baixo foi recrutado J.J. Hrubovcak, que já tocou nos Monstrosity e actualmente toca ao vivo com os Vile.



Mas como sempre, o cerne do trabalho está na composição das guitarras (sim, porque Rutan grava duas em estúdio e faz uma e meio ao vivo) que desta vez incluem mais melodia e outros contornos experimentais/progressivos. É incerto se este elemento adicional será o suficiente para apelar a novas audiências,

Pois os Hate Eternal continuam a ser uma banda tão extrema como antes. Mas que tornam a música mais apelativa em certos pontos, isso é indiscutível.

São nove faixas mais uma intro que levantam um paralelo interessante: pela velocidade e agressividade é possível comparar a posição dos Hate Eternal na esfera do Death Metal com a posição que os Slayer têm na esfera do Thrash, se bem que com um historial de sucesso radicalmente diferente.



The Eternal Ruler, a faixa de abertura, mostra que apesar de ter interrompido o seu conceito chave (a monarquia soberana) para honrar a morte do baixista Jared Anderson - ex-Morbid Angel e membro fundador dos Hate Eternal juntamente com Rutan - continua a ser "o rei", e já nem precisa de fazer muito para manter o seu trono.

Mas não deixa de ser extremamente interessante esta alteração na temática, nem que tenha sido apenas por um álbum. Como que um Gilgamesh moderno, o rei Rutan soube chorar a morte do seu Enkidu, surgindo agora como uma fénix que das cinzas se levanta para procurar a sua própria imortalidade.

O álbum prossegue com malhas como Thorns of Acacia, assente num forte ritmo de marcha que mistura extremismo e melodia. Haunting Abound foi a faixa utilizada pra apresentar o álbum na Internet antes do seu lançamento, trata-se de uma espécie de single de que poderão gostar mesmo os que não conhecem a banda.



Phoenix Amongst the Ashes, que revela o lado mais suave de Rutan, também se destaca como faixa forte. Mas o mesmo acontece com Hatesworn, onde Rutan volta a mostrar porque é que (independente das mortes e ressurreições) o ódio é eterno.

Deathveil e Lake Ablaze não são fillers, aliás são muito boas faixas, mas quase que pecam por não se conseguirem destacar tanto quanto as demais na minha opinião. Em The art of Redemption fica patente a vontade de Rutan em expandir o som da banda para além da "simples" técnica e extremismo.

The Fire Of Resurrection fecha o álbum e mostra os Hate Eternal num novo lume, com uma combinação de ritmos, melodias e um solo que destaca esta faixa não só dentro do álbum, mas também na carreira da banda em geral.

É sem dúvida um trabalho seminal que ficará na história do Death Brutal e que é sério candidato a álbum de Death Metal do ano, apesar de haver forte e abundante concorrência.

Gostava de agradecer pessoalmente e em nome do Pedra de Metal ao Erik Rutan que tive o prazer de finalmente conhecer e que me aprovou esta review.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

PEDRAGULHO - Hate In Flesh "Wondering Through Despair"

Em anos recentes o Underground português tem sido inundado de boas bandas, boas composições e bons lançamentos. A nossa mentalidade (retrógrada por sinal) ainda não nos permitiu perceber o quanto o paradigma do Metal português mudou na última década.



Wandering Through Despair”, o primeiro longa-duração dos luso-brasileiros Hate In Flesh, é um perfeito exemplo disto. Este álbum, brincadeiras à parte, merecia ser lançado internacionalmente por uma chancela relevante. É que trata-se duma daquelas sonoridades que consegue agradar muitos fãs de diferentes géneros.

A formação é composta por um português e quatro brasileiros residentes em Portugal. Fui fundada pelo vocalista Maiko Ramos (na altura também baixista) e o guitarrista César Silva, ao qual se juntaram mais tarde o guitarrista Paulo Oliveira e o baterista Euler Morais. A formação estava completa, mas sofreu uma última alteração quando o português Pedro Bastos se ofereceu para tomar conta do baixo.

Após pouco mais de um ano e meio desta formação o resultado está a vista. “Wandering Through Despair” apresenta-nos dez faixas sólidas, consistentes e no entanto variadas, que farão as delícias de fãs de Death Metal, Thrash/Groove Metal, Metalcore e quiçá até outros. O som é difícil de definir num só género, mas cada faixa tem uma tendência própria, pautada pelo estilo próprio dos Hate In Flesh.



O álbum abre com a faixa título, e quem apreciar o estilo de leads melódicos que tanto se tem popularizado na última década certamente gostará. Mas nem só de leads se fazem os Hate In Flesh, aliás, este tipo de leads é uma faceta da sonoridade da banda que os Hate In Flesh ainda podem desenvolver e melhorar.



A segunda malha, Rebirth of Rotten Souls, já assenta muito mais num feeling Thrash com muito ritmo e riffs contagiantes e excelentes para um bom pit. Nesta faixa o destaque vai para César Silva, que prova que apesar da proficiência nessa área não é apenas um simples guitarrista ritmo, e os seus solos mostram isso.



Grinder Machine parece ser a música mais rápida do álbum, com guitarras a rasgar durante quase toda a faixa e uma percussão louvável. Fica também clara no refrão a influência de bandas melódicas.



Seconds to the End mostra mais uma vez que apesar de seguir um tronco comum, o som dos Hate In Flesh tem várias facetas e em nada é repetitivo (exceto nas partes que se querem mesmo ouvir repetidas). O fim da música conta inclusive com um duplo lead fantástico que pela qualidade da composição e produção nos remete para trabalhos internacionais.



Se até aqui já se tinha percebido a sua eficácia, Pedro Bastos usa a faixa My Last War para mostrar como se diferencia de muitos baixistas de Metal, que mais não fazem do que tocar o instrumento como se de uma guitarra se tratasse. http://www.blogger.com/img/blank.gif



Foi também esta faixa que Euler Morais aproveitou no Hate In Fest para fazer um fantástico solo, que podem encontrar no canal Sons Subterrâneos.



Segue-se Hate Me, a faixa que dá o nome à tour em que se encontra atualmente a banda, e que deverá durar até ao final do ano à medida que mais datas forem surgindo para promover o álbum. Um claro “single”, é uma faixa que consegue provavelmente reunir gostos diferentes mais do que outras do álbum.

Riffs cavalgados a remeter mais uma vez para o Thrash abrem a faixa Lost, que espanta pela forma como avança progressivamente até um final pautado por fantásticas linhas de guitarra. É uma faixa segura, que infelizmente os Hate In Flesh não tocam quando são obrigados a reduzir o seu set.



Segue-se Trigger, possivelmente a faixa mais calma do álbum, mas não precisam de ter medo pois é carregada de peso, e é lá para o meio que entra a melodia, com Maiko Ramos a fugir à sua normal voz agressiva e fazer um spoken word, antes da música começar a "aquecer" de novo.



A penúltima faixa, Memories, deve ser certamente uma das favoritas do Pedro. Para além do destaque que o baixo tem na faixa, ele gosta de puxar pelo público quando começa a tocar esta ao vivo, e no Hate In Fest fez antes da faixa um pequeno discurso em que disse que já era um sonho realizado ter lançado este álbum.



O a fechar o álbum temos Dead Man, a mais sombria de todas as faixas, assim como uma das com mais técnica. Apesar de um ritmo lento na maior parte da música, Euler não poupa o pedal duplo, e depois dos solos até ao fim é sempre a abrir.

Tenho acompanhado este quinteto desde pouco antes de lançarem este álbum e já tive o prazer de os ver tocar várias vezes, incluindo duas datas nas quais anunciaram o lançamento do álbum, e posso garantir que os Hate In Flesh conseguem ser ainda melhores ao vivo.

Mas não deixo de recomendar o álbum a todos, e recomendar que ouçam já aqui no Pedra de Metal a faixa “Wondering Through Despair”, disponível no nosso player, que está à direita. Acho que se trata de um sério candidato a álbum português do ano, e muito dificilmente não ficará no meu top.

Aproveitem para conferir as datas da Hate Me Tour para saber onde podem ver este quinteto revelação, mas tenham em atenção que ainda vão ser adicionadas muitas mais datas até ao final do ano, por isso estejam atentos ao Facebook e MySpace da banda.