Pedra de Metal

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terça-feira, 30 de novembro de 2010

PEDRAGULHO - In Peccatum "MDLXIII"


Os In Peccatum descrevem este último EP como a marca de “uma nova fase” para a banda. Algo que se nota a vários níveis, afinal de contas este é o primeiro lançamento da banda com a mais recente (e completa) formação. Foi gravado nos GlobalPoint Studios em Ponta Delgada, mais uma prova de que as boas produções podem vir essencialmente de qualquer região.



MDLXIII é um EP deveras completo na sua composição. Tendo finalmente atingido uma formação completa e estável, os açorianos In Peccatum trazem-nos um trabalho cheio de alma e de uma composição impressionante. Trata-se de um trabalho conceptual, como aliás já tinha sido "Antília", inspirado por um tema cultural açoriano.

Neste caso a inspiração surgiu como uma coluna de fogo, e foi a erupção vulcânica de 1563 - também conhecida como a erupção cinzeiro - na Lagoa do Fogo em São Miguel. Na verdade, certas fontes apontam a existência de duas erupções simultâneas na mesma ilha, devido às características específicas de cada uma das erupções.

A banda tenta captar neste trabalho os sentimentos das populações; que na altura se sentiram impotentes e ao mesmo tempo estupefactas com aquilo que presenciavam. Foram usados excertos da obra “Saudades da Terra” do historiador do séc.16 Gaspar Frutuoso, o qual esteve presente durante a calamidade, adicionando assim a este EP a profundidade de uma testemunha do evento que tentam recriar.

O EP arranca lentamente com a intro All I Am Is Fear seguida de (Our Last) Heartbeat. Notamos a este ponto que os teclados dos In Peccatum não são substituição para bom trabalho de guitarra, pois ela está lá. A voz de António é gutural mas a produção torna-a bastante audível até para quem normalmente se assusta só com a ideia.

Aduro Letifer é quase inteiramente acústica na sua génese, e penso que há algo de muito “nosso” presente na composição desta faixa, e não só a voz feminina em português. Difusas Sombras é sem dúvida um dos pontos mais altos de “MDLXIII”. O português é mais uma vez a linguagem escolhida, mas é a variedade instrumental que realmente faz o destaque.



A faixa Tão Tenebrosas…As Cinzas serve como uma passagem para From An Ashery Flower, a última música longa do EP, e na minha opinião mais um destaque, desta vez em inglês mas continuando a transmitir os mesmos conceitos tão eficazmente como antes. A faixa acústica So Shall We Wither fecha o lançamento não fazendo uso de vozes ou ambientes sonoros.

António Neves admitiu ao Pedra de Metal que os In Peccatum assumem influências de música erudita e este EP demonstra isso. Por outro lado é óptimo que as guitarras sejam tão bem trabalhadas, e que os teclados não sirvam como uma desculpa para dispensar solos. No geral penso que é um lançamento com todo o potencial para espectáculos ao vivo, um EP que soa quase a um álbum inteiro, e que deixa acesa a curiosidade sobre o que se seguirá.

In Peccatum (Ponta Delgada, Açores) - Goth/Doom Metal

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domingo, 28 de novembro de 2010

LIVE REPORT - Katatonia - 26 de Novembro - Incrível Almadense


A história dos Katatonia já os levou pelos caminhos do doom, goth, dark, depressive rock e outros tantos, mas mais simples do que categorizar a sonoridade da banda sueca é apreciar uma das suas imaculáveis exibições, como o Pedra de Metal foi constatar à Incrível Almadense.

Pouco passava das 21h quando os Before the Rain mostravam o seu poderoso doom metal fazendo lembrar o que os Paradise Lost fizeram na primeira metade dos anos 90. Uma actuação poderosa que serviu para aquecer o ambiente numa noite bem fria de Novembro. A nova encarnação da banda tem um poder renovado devido à adição de uma terceira guitarra (a do vocalista) permitindo assim uma maior liberdade ao lead, que conseguiu fazer-se ouvir perfeitamente por cima de uma secção rítmica arrebatadora. Uma banda nacional que atingiu a maturidade necessária para o consumo internacional.

Os Katatonia entram em palco cerca de um quarto de hora depois das 22h e a sua actuação será marcada pelo desfile de clássicos com foque especial para os seus últimos três álbuns. Começaram com “Day and then the shade” do seu mais recente album “Night is the New Day” prosseguindo com “Liberation”, “My twin”, “Onward into battle” e “The longest year” a uma multidão, nesta altura, já rendida ao quinteto.

Podemos identificar como pontos altos da actuação, que já de si foi um ponto alto, a fantástica “Teargas” culminando no apogeu que se deu com “Ghost of the Sun” que colheu a reacção mais eufusiva da noite. Seguiu-se a “Criminals” com o seu fantástico refrão e a “July” que marcaria a “falsa” despedida dos Katatonia já que regressariam para um encore após insistência do público.



Iniciaram encore com a excelente “For my demons” prosseguindo com “The forsaker” e encerrando a sua actuação com a “Leaders”, perante um público que claramente os via como tais, tendo-se prostrado perante a banda ao longo de toda a noite.



Uma excelente actuação (não notei falhas técnicas), uma banda extremamente coesa e entrosada, com um grande ambiente criado entre a banda e o público e com uma grande entrega de ambas as partes. Jonas P. Renkse repetiu ao longo da noite que era bom estar de volta. Nós dizemos o mesmo: sejam bem-vindos e apareçam sempre!



Este artigo foi escrito com auxílio deste site e em colaboração com Carlos Afonso Monteiro.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

ENTREVISTA - In Peccatum



Os In Peccatum praticam um Metal pesado mas profundo, que reflecte influências de Doom e Goth Metal mas não só. O Pedra de Metal teve a oportunidade de falar com António Neves, um dos membros originais da banda açoriana. Os temas foram a história da banda, o EP "MDLXIII" e o novo primeiro álbum de longa duração em que a banda trabalha actualmente.


PdM - Não começaram a banda com o nome "In Peccatum", aliás, passaram por dois nomes antes de se firmarem nesse. Qual a razão desta mudança? Evolução natural da banda ou conflitos legais (especificamente com o Ihsahn dos Emperor e o seu projecto Peccatum)?

Neves - Sim, efectivamente quando começamos com o projecto, o primeiro nome que escolhemos foi Hades, em relação ao deus grego dos infernos e dos mortos. Este nome, contudo, nunca saiu da sala de ensaios, uma vez que existia também outra banda com a mesma designação. Logo de seguida adoptamos o nome de Peccatum e chegamos inclusive a lançar a nossa 1ª demo tape sob esta designação. Praticamente na mesma altura, 1998, tomamos conhecimento do projecto Peccatum do pessoal dos Emperor e então, por razões óbvias e para evitar confusões, acrescentamos o In e passamos a ser conhecidos por In Peccatum, mantendo assim uma relação com o nosso primeiro nome, mas garantido a diferenciação.

PdM - Este segundo EP é conceptual e lida com um tema muito próprio dos Açores, como aliás já havia sido o caso com o primeiro. Este resultado obtém-se naturalmente ou é o objectivo da banda quando começa a escrever?

Neves - É um pouco dos dois. Surge naturalmente e a partir daí, acaba por influenciar a escrita da música e das letras.

PdM - E poderemos esperar o mesmo do longo-duração que agora preparam (um trabalho conceptual, focado na cultura açoriana)?

Neves - Isto para já é algo que ainda não sabemos ao certo. Temos a parte musical praticamente pronta e quando passarmos à escrita das letras aí veremos que rumo tomar.



PdM - O vosso press release refere que vocês se inserem na segunda vaga de Heavy Metal açoriano. Gostariam de contar a história deste movimento regional como participantes activos do mesmo?

Neves - O movimento metaleiro nos Açores começou a crescer bastante no final dos anos 80 e inícios dos anos 90, sobretudo impulsionados pelos Morbid Death, sendo que ainda anteriormente a eles existiram outras bandas hard n’ heavy por cá. Mas foram eles sobretudo que trilharam o caminho para as outras bandas que surgiram e para aquelas que presentemente vão surgindo. Nesta primeira fase, além dos Morbid Death, podemos incluir as bandas Black Mass, Gnosticism, Noxious, StormWind, Obscenus, Carnification, Luciferian Dementia, Necropsia, Classic Rage e Prophecy of Death. Destas todas, hoje em dia ainda continuam em actividade apenas os Carnification, que regressaram após um longo hiato. Para além destes, também os Prophecy Of Death reuniram-se e, em apenas duas aparições deram um ar da sua graça num regresso que se espera não apenas esporádico. Na segunda vaga, para além dos In Peccatum, surgiram as bandas Dark Emotions, God´s Sin, Hiffen, Kaos e Sanctimoniously. Deste lote, além de nós, só subsistem os Hiffen. Finda a década de 90, surgiram muitas outras novas bandas. Umas vão resistindo e outras, infelizmente, vão morrendo à mesma velocidade que aparecem.

Presentemente temos um underground regional bem activo e com boas e talentosas bandas.

PdM - Quem são as vossas grandes influências, quer a nível nacional ou internacional?

Neves - Nós somos influenciados por uma variedade de bandas e estilos, que incluem bandas como Iron Maiden, Type O Negative, My Dying Bride, Anathema, Paradise Lost, Pink Floyd, etc… e por estranho que possa parecer, música erudita no geral. No início da nossa carreira, e nacionalmente falando, os Moonspell foram uma grande influência.

PdM - Ao misturarem o inglês com o português sentem que trilham um caminho já desbravado por bandas como os Moonspell, ou reconhecem no que fazem algo de único e pessoal?

Neves - Realmente único não é, pois há várias bandas nacionais, que fazem uso de ambas as línguas, mas é algo que é natural, visto que o Inglês é a língua universal e o Português a nossa língua, daí não ser de estranhar a fusão dos dois idiomas. Aliás, quando formamos a banda a ideia era cantar exclusivamente em português, mas cedo abandonamos a ideia, visto que metal em inglês acaba inevitavelmente por soar de forma mais natural. Contudo agrada-nos imenso termos temas em português e é algo que irá continuar a fazer parte dos In Peccatum. Curioso é também nas críticas que vamos recebendo do estrangeiro, relativamente ao “MDLXIII”, vermos mencionado diversas vezes que o tema favorito dos “reviewers” é o “Difusas Sombras”, cantado unicamente na nossa língua.

PdM - A vossa formação parece ter finalmente atingido a maturidade e estabilidade, é este o caso?

Neves - É verdade. Conseguimos finalmente ao fim de vários anos de actividade ter um line up estável, uma vez que após a saída do nosso teclista inicial, andamos alguns anos a contar com músicos convidados para essa função. A entrada do Spell veio trazer a estabilidade pretendida nesse aspecto. Depois a passagem do Almeida da bateria para a guitarra foi também algo natural e desde sempre ambicionado. A função de baterista até então por ele exercida foi pois uma necessidade e deveu-se inteiramente ao facto de não termos ninguém que pudesse ocupar essa posição. Tratou-se de um recurso que durou até 2007, ano em que entra para a banda o baterista João Oliveira.

PdM - Existem planos para trazer os In Peccatum ao continente?

Neves - Existem e tal esteve bem perto de acontecer este ano. Tínhamos já contactos com duas bandas continentais e uma mini digressão por 2 ou 3 locais planeada para o primeiro trimestre deste ano, mas infelizmente acabou por não acontecer. Continua a ser um importante ponto e não está de forma alguma esquecido. Tem sido pois um objectivo até agora difícil de concretizar, mas - e embora não referindo datas em concreto - este é sem dúvida um projecto para levar avante.



Para breve fica a crítica ao EP "MDLXIII" dos In Peccatum, um trabalho conceptual lançado em 2009 que lida com a erupção vulcânica que ocorreu na ilha de São Miguel, no ano de 1563.

In Peccatum - Site Oficial

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