Pedra de Metal

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quinta-feira, 15 de abril de 2010

Crónicas da Pedra – Volume 8

Pete Steele

(1962 – 2010)
Foi em 1999 que eu, já tardiamente, me agarrei a Type O Negative. Comecei pelo álbum mais negro da sua discografia – “World Coming Down” – precisamente na altura em que tinha falecido o meu avô materno, amigo de infância, mais que avô, um companheiro de vida até então. As similaridades entre as letras desse álbum e o que senti na altura fizeram com que eu ficasse para sempre ligado a esse álbum em particular.

Claro que depois eu descobri o que havia para trás e a trindade “Slow, Deep And Hard”, “Bloody Kisses” e “October Rust” fizeram-me perceber que o universo dos Type O Negative era mais do que um negrume triste, a cair para o cinzentão – era sarcástico, humorístico e muito cativante. O agora malogrado Peter Steele era não só dono de um língua afiada que não escolhia alvos em particular (mas toda a humanidade em geral) mas de uma voz fantástica que fazia suas velhas musicas dos anos 60 e 70 e as transformava em hinos de metal gótico, no qual muitos beberam durante a febre do metal gótico do final dos anos ’90 – basta olhar para bandas como Moonspell, 69 Eyes, HIM, Tiamat, Evereve et al para ver que há mais do que apenas uma solene influência dos T.O.N. nas gargantas de todos eles (o exemplo Moonspell logo à cabeça não é inocente, dado que as bandas partilham uma relação de grande amizade, nada escondida dos dois lados).

Apesar de morto, não vou começar com a treta de chamar génio ao Pete Steele – ele ia odiar e gozar comigo se eu o fizesse! Digo apenas que deve escutar de novo o seu legado, desde os brutais Carnivore, conhecidos por se apresentarem em palco e sessões fotográficas com peles de animais a decorarem equipamentos de hóquei e por serem uma das bandas seminais do thrash/core mais violento, até aos Type O Negative, com toda a sumptuosidade com que sempre se apresentaram, na sua negra loucura, cheia de sinceridade.

E como qualquer boa elegia fúnebre tem de ter um momento para sorrir., fiquem sabendo que Pete Steele chegou a posar para a revista Playgirl, numa ousada produção fotográfica. Após a edição da mesma e para seu horror, e logo ele que sempre se assumiu como homofóbico, foi informado pelo teclista dos T.O.N., Josh Silver, que apenas 30% dos assinantes da Playgirl eram mulheres.
Upssss :)

RIP Pete - may you finally go meet your loved ones.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Crónicas da Pedra – Volume 7


Desaparecido em combate? Talvez. Mas isso é só porque a inspiração que serve estas crónicas vem principalmente do mal estar perante a cena underground (metal e não só….).
Portanto os factos que eu vou relatar hoje são um acumular de situações perante o que eu tenho assistido in loco em diversos concertos, fóruns, conversas e muitas outras situações.


Facto 1:

A maioria das pessoas julga-se demasiado boa para ir a concertos de bandas desconhecidas delas mesmas; bastava meter os pés em quase todos os concertos em que eu tenho estado na zona centro para perceber isso. Quando eu vejo uma banda como The Guv, com um potente som stoner / doom, que tanto soa a sunn0))), como Isis, como a Electric Wizard a tocar para menos de 20 pessoas e perceber que as pessoas não se querem sujeitar à simples descoberta de talento, fico um pouco decepcionado. Visito blogues de musica alternativa e vejo que eles pregam para os peixes; Frequento fóruns de musica e vejo que muita gente manda lixar toda a musica, menos uma cena obscura que segue religiosamente e que louva como sendo a melhor coisa que inventaram desde que os Dadaístas pregaram a loucura artística.


Facto 2:

A maioria das pessoas é demasiado arrogante para combater os seus preconceitos; basta ver como os blackmetallers tratam o power metal, como os thrashers tratam a malta do doom, como a malta do drone abomina a musica pop, como os puristas do noise tratam o metal, etc etc, ad aeternum, ad nauseam. Mas será que musica, mais ou menos estruturada, mais ou menos audível, mais ou menos esquisita deixa de ser musica só porque não a apreciamos?


Facto 3:

Esquecendo um pouco o facto de estar a fazer um bocado de publicidade a mim mesmo, ando a trabalhar à coisa de um ano no meu álbum de estreia. Sabendo o que sei, vai passar despercebido, dado que são editados mais de 10.000 álbuns por ano (isto em editoras normais, fora as netlabels e edições de autor). Ora, tal como eu, milhares de outros músicos vão gravar obras que nunca vão passar o estatuto de desconhecidas, independentemente da qualidade, pura e simplesmente porque é impossível conseguir ouvir-se tanta musica!


Conclusões:

Excesso de oferta? Falta de qualidade? Desconhecimento puro e duro? Qual é a razão que nos impede de usufruirmos da musica que hoje em dia nos tomou avassaladoramente de assalto?
Será que já só é bom o que se fazia “antigamente?
Mistérios da fé…

Conselho de escuta:
Veins Iced Over – The Awakening
(vejam a critica que fiz a estes maganos :P )